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Para Alvaro Dias, luta de classes, violência e invasões justificam impeachment de Lugo no Paraguai

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Ao relatar nesta segunda-feira (02/07), no Plenário do Senado, viagem que fez no final de semana a Foz do Iguaçu e Ciudad Del Este, no Paraguai, para encontros com lideranças, parlamentares e brasiguaios, o Líder do PSDB, senador Alvaro Dias, além de constatar que, naquele país, reina a paz e a tranquilidade, expôs algumas das razões elencadas pelo Congresso que justificaram o rito célere adotado no processo de impeachment de Fernando Lugo. Para o tucano, o cenário que antecedia a decisão do Congresso era de tensão social, e o governo de então permitia que se instalasse no país um movimento orquestrado por organizações campesinas, que espalhava violência e insegurança.

“Esse era o cenário que antecedia a decisão política do impeachment decidido pelo Congresso. Havia um clima de tensão social e reiterados episódios de violência, estimulados por um discurso que promovia a luta de classes. Um movimento orquestrado por organizações campesinas, por setores políticos integrantes do Poder Executivo, com apoio do Presidente da República, semeava insegurança e violência, como ocorreu no dramático episódio em que morreram seis agentes da Polícia e onze campesinos armados com o enfrentamento da polícia nacional a um grupo de carperos que ocuparam uma propriedade privada. O presidente Lugo perdeu a confiança do povo e do parlamento do país. Não houve golpe”, disse o senador.

O senador Alvaro Dias elencou no Plenário algumas das razões defendidas pelos parlamentares da Câmara dos Deputados que propuseram ao Senado o processo de impeachment:

1- que nos quartéis ocorriam atos políticos de jovens paraguaios e estrangeiros, ligados a organizações de esquerda;
2- que as invasões de propriedades ocorriam com o apoio de forças públicas, não só com a complacência do governo e de seu presidente, mas com a cumplicidade e participação;
3- que havia visível insegurança pública, pois a população não possuía segurança jurídica e temia por atos de violência;
4 – o protocolo de Ushuaia II, assinado pelo Presidente Lugo em Montevidéu, com clara lesão aos interesses paraguaios;
5 – o caso de Curuguati, com invasão de uma propriedade rural, de uma área próxima a uma reserva florestal;
6 – o estímulo à luta de classes;
7 – ações de grupos guerrilheiros, o grupo denominado EPP, Exército Popular do Paraguai, promovendo inclusive sequestros.

No seu discurso, o senador Alvaro Dias, após defender a legitimidade do processo que resultou no impeachment de Fernando Lugo, condenou a precipitação dos líderes do Mercosul em decidir pela suspensão do Paraguai do grupo do Mercosul, e questionou o direito dos mesmos em punir aquele país. O Líder destacou que a constituição paraguaia, em seu art. 225, possibilita o procedimento ágil para o julgamento político, principalmente pelo presidente ter perdido a confiança da população. Para ele, no caso brasileiro, o dispositivo constitucional obriga o país a respeitar a autodeterminação dos povos e a soberania de todas as nações do mundo.

“No Paraguai, a Constituição foi respeitada; houve transparência; houve quase que unanimidade de uma decisão democrática.A suprema corte do país validou a decisão do parlamento. Com que justificativa aqueles líderes latino-americanos, acostumados a afagar ditadores mundo afora, a oferecer apoio diplomático e amizade a ditadores sanguinários que praticam atrocidades, que violentam os direitos humanos, se arvoram em defensores da democracia no Paraguai, ignorando que lá se praticou ato que corresponde às expectativas da sociedade com base nos preceitos constitucionais? Reitero aqui meu repúdio à decisão adotada, a meu ver precipitadamente, pelo Mercosul, por algumas lideranças da América Latina, e lamento profundamente que as autoridades brasileiras estejam à reboque de lideranças que não possuem o nível necessário para tratar de assuntos que dizem respeito à integração latino-americana”, afirmou o Líder.

Elogio à decisão judicial

Em entrevista à imprensa, o Líder do PSDB comentou a decisão da Justiça de mandar de volta à prisão três acusados de integrar o grupo de Carlinhos Cachoeira: o ex-vereador Wladimir Garcez, tido como um dos braços políticos do esquema; Lenine de Araújo Souza, suposto contador; e José Olímpio de Queiroga Neto, acusado de ser sócio de Cachoeira na exploração de caça-níqueis, foram novamente presos pela Polícia Federal no sábado (1º), por decisão do desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Souza Prudente. Para o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) a prisão preventiva ainda se justifica pelo risco de comprometimento das investigações.

“O caso ainda está sendo investigado sob distintas frentes de atuação: Polícia Federal, Ministério Público e CPI; por isso, há evidente risco de destruição de provas, de ocultação de documentos e de cooptação de testemunhas, sem falar em ameaças a autoridades”, argumentou o Líder.

Eduardo Mota – Assessoria de Comunicação da Liderança do PSDB no Senado

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